Qual a relação existente entre tuberculose, alcoolismo e carência alimentar?

As bibliográficas consultadas apontam para o aumento da vulnerabilidade à tuberculose relacionada a fatores como alcoolismo e carência alimentar. (1,2,3,4,5)  O alcoolismo crônico é considerado importante fator de risco para o desenvolvimento da tuberculose, visto que há alta incidência de casos e de formas mais avançadas de tuberculose pulmonar entre esses pacientes. O abandono do tratamento e o risco de desenvolvimento de efeitos colaterais aos medicamentos antituberculose pelos alcoolistas são maiores quando comparados aos não-alcoolistas. Isso determina algumas ações específicas no Programa de Controle da Tuberculose, como a indicação do Tratamento Diretamente Observado (TDO) a esses pacientes. (2)  Quanto à carência alimentar, dietas com baixo valor proteico relacionam-se a alterações na função imunológica mediada por células T, tornando o organismo mais suscetível à infecção por Mycobacterium tuberculosis e ao desenvolvimento da doença. (1)

COMPLEMENTAÇÃO Posição socioeconômica desfavorável (pobreza), sexo masculino, idade adulta, comorbidade de tuberculose e Aids, diabetes, alcoolismo, dependência química, tabagismo, má nutrição e barreiras de acesso aos serviços de saúde têm sido associados à tuberculose na literatura científica. O reconhecimento dos fatores associados à ocorrência de tuberculose expõe a complexidade do problema e a necessidade de estabelecerem-se novas estratégias para o seu enfrentamento. (6) O alcoolismo exerce influência sobre o prognóstico e o tratamento da tuberculose (TB), visto que há alta incidência de casos e de formas mais avançadas de TB pulmonar entre pacientes alcoolistas. O problema deve ser tratado na comunidade e, também, mais considerado pela equipe de saúde que trabalha diretamente com doentes de TB, buscando encontrar meios precisos de identificar esses pacientes e oferecer tratamento concomitante ao uso ou abuso de álcool. (7) Os alcoolistas apresentaram probabilidade quase quatro vezes maior de abandonar o tratamento. A sensação de recuperação de saúde, o uso da bebida alcoólica ou drogas e o desconforto do tratamento – incluindo efeitos adversos – são motivos para o abandono do tratamento, segundo a percepção de alguns pacientes. Detectar o consumo de álcool, ou sua dependência, durante o tratamento da TB, é importante para evitar possíveis complicações ao usuário do Programa de Controle da Tuberculose – PCT. (7) O paciente com dependência a algumas substâncias é um desafio difícil. O tratamento para a dependência deve ser oferecido se possível. Deve ser encorajada a completa abstinência ao álcool ou aos medicamentos. Contudo, o uso de álcool ou medicamentos não é uma contraindicação absoluta para o tratamento. Se o tratamento for repetidamente interrompido devido ao abuso de substâncias do paciente, o tratamento da TB-MDR deve ser suspenso até que o tratamento do problema de adição seja um êxito. O TDO dá ao paciente o contato e apoio dos trabalhadores de saúde que muitas vezes ajuda na redução da dependência a substâncias. (8) ATRIBUTOS A prevenção de doenças é um fator muito importante para a não disseminação da doença e aumento da taxa de cura, sendo o diagnóstico precoce e o seguimento adequado do tratamento os principais fatores para tal fato. Assim, a acessibilidade a serviços de saúde deve ser valorizado. O acompanhamento da equipe multiprofissional no controle da TB é de extrema importância, pois contribui para a criação de vínculo e acessibilidade para o doente, ajudando na redução da doença. (9) O alcoolismo é um conhecido fator de risco para os desfechos desfavoráveis da tuberculose, e esforços para uma abordagem multidisciplinar nesses casos devem ser empreendidos para contornar as dificuldades de adesão e tolerância desses pacientes. (9) EDUCAÇÃO PERMANENTE A detecção precoce de casos de TB, sobretudo dos bacilíferos, e a instituição rápida de terapia efetiva são consideradas como ações fundamentais para o controle da TB. O tratamento reduz rapidamente o número de organismos infecciosos transmitidos pelo paciente, e assim previne a transmissão a indivíduos susceptíveis e a ocorrência de casos secundários. Em outras palavras, reduz o número de pacientes com TB na comunidade através da cura dos casos prevalentes. A quimioterapia adequada também reduz a mortalidade por TB e diminui a prevalência de doença resistente às drogas. (10)